No Carnaval da pandemia, divirta-se com lembranças e histórias da folia

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No Carnaval da pandemia, divirta-se com lembranças e histórias da folia

Tribuna do Paraná
Escrito por Tribuna do Paraná

Tudo mundo tem uma história de carnaval para contar. Conheça essas lembranças que nossos leitores quiseram compartilhar

Por Lucas Sarzi, especial para a Tribuna do Paraná

O Carnaval sempre foi tudo que o brasileiro gosta: alegria, diversão e muita festa, receita certa para também permitir que boas histórias surjam. Neste ano, por causa da pandemia do novo coronavírus, o Carnaval vai ter que ficar para depois, mas talvez seja o momento certo para resgatarmos algumas boas histórias de gente que adora uma folia. De perrengue na Sapucaí a casamento, e até quase morrer por uma descarga elétrica na praia, o que mais os paranaenses carregam são bons momentos.

A foto que ilustra a matéria é de um grupo de amigos e familiares que, todos os anos, se juntavam para celebrar o Carnaval da melhor forma possível na cidade de Marumbi, no Norte do Paraná. “Formávamos um grupo de oito pessoas, entre elas meu irmão e minha cunhada, e planejávamos tudo. Todos esperavam por nós no clube, pois éramos os mais alegres”, lembra a aposentada Terezinha Martins, 66 anos.

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Com o tempo, a folia do grupo de Terezinha foi ficando de lado, mas todos ficaram com o mais importante: as lembranças. A mesma inspiração de amizade tem o grupo de Renata Grebogy, 30 anos, que se reúne há três anos para aproveitar o Carnaval. “Fomos três anos seguidos para o Rio de Janeiro. Nós mesmas decidimos e criamos tudo: da fantasia, que fazemos sempre todas iguais, ao local onde ficaremos hospedadas”, contou.

Formado por aproximadamente dez meninas, o grupo já se divertiu demais nessas aventuras na folia. “Já aconteceu um pouco de tudo. A gente sempre acaba se perdendo, mas no final do bloco todo mundo sempre se encontra. No ano passado, uma das nossas amigas se perdeu, acabou a bateria do celular e não sabíamos onde ela estava. Vimos que o último post que ela tinha feito era com uma menina que nunca tínhamos visto na vida, começamos a fuçar e descobrimos que ela estava com essa menina, deu tudo certo”, lembrou Renata.

Sempre aproveitando junto com as amigas o pré-carnaval e o Carnaval, a gerente de E-commerce disse que, neste ano, as coisas foram bem diferentes. “A gente nem combinou nada por conta da pandemia. Algumas vão viajar para a praia, mas nada ligado ao Carnaval. Depois de três anos, não vamos passar juntas”.

Para Renata e o grupo de amigas, o Carnaval sempre foi motivo de festa e muita alegria. “Tem leveza, muita brincadeira. Isso sem contar o fato de estarmos juntas também, uma forma de celebrar a vida. Neste ano, está significando saudade e está fortalecendo nossa amizade. Se dizem que o amor de Carnaval não dura, o amor pelo carnaval dura e nós somos a prova disso”.

Carnaval é sinônimo de perrengue

Para algumas pessoas, toda essa folia do Carnaval também pode ser motivo para alguns pequenos apuros. Mas nada grave, afinal a alegria toma conta e no fim tudo dá certo. Este é o caso da jovem Giulie Hellen Oliveira de Carvalho, 26 anos, e do namorado Renan Araújo, que sempre tentam aproveitar o Carnaval de alguma forma, mas nem sempre dá certo. “Somos campeões em perder os carnavais ou entrarmos em algumas frias”, brincou.

Segundo Giulie, o primeiro perrengue foi em 2017, em São Paulo. “Estávamos num bloquinho de rua e deu horário de voltar porque nosso voo para Curitiba era às 19h. Acontece que, nesse retorno, passamos por um bloco da Daniela Mercury e não tínhamos como sair dali. Cheguei cheia de glitter no aeroporto, suando, morrendo, mas deu tempo”.

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Um ano depois, o casal resolveu passar o Carnaval no Paraná, para evitar problemas maiores, mas foi em Morretes que acabaram entrando em outra fria. “Quisemos ir para a festa de Antonina. Nos arrumamos, saímos com tempo, mas pegamos um acidente no caminho, que nos deixou 2h30 presos e perdemos todos os desfiles. Chegamos lá, as pessoas já tinham ido embora. Ficamos uns 40 minutos e voltamos”.

Em 2019, acreditando que em Curitiba estariam mais tranquilos, Giulie e o namorado foram para o Centro da cidade para ver os blocos. “Mas quando chegamos, não tinha mais bloco. A gente viu a data errada”.

No ano passado, porém, veio o que podemos chamar de redenção do casal. Mas não antes sem um perrengue. “Fomos para o Rio de Janeiro, porque queríamos muito ir num bloquinho em Ipanema. No meio do caminho, caiu uma tempestade, ficamos presos no metrô e toda a fantasia acabou estragada, a começar pela maquiagem. Quando chegamos, já estava acabando e também acabamos ficando uns 20 minutos e fomos embora”.

Dias depois, bem no estilo brasileiro que não desiste nunca, Giulie e o namorado resolveram ir para a Sapucaí e acabaram, pelo menos, tendo um dia de glória. “Era um sonho ver os desfiles das escolas de samba de perto, ao vivo. A gente chegou no horário, assistimos aos desfiles, a pizza era boa e de quebra ainda vimos o Reynaldo Gianechini. Nesse dia deu tudo certo, mas ainda assim teve perrengue: tinha um teto que pingava xixi porque o banheiro era em cima”.

Perdidas entre as baianas

Por falar em escolas de samba, o sonho de participar de um desfile na Sapucaí fez com que duas amigas jornalistas vivessem uma das histórias mais hilárias. Anna Carolina Amaral, 33 anos, e Mariana Pivatto, 36, foram de Curitiba até o Rio de Janeiro com tudo certo e planejado, só não contavam com os rodados das baianas da Grande Rio, que atrapalharam um pouco o que elas haviam esquematizado.

Anna contou que o desfile, em 2017, foi no dia em que o tema era uma homenagem à Ivete Sangalo. “O desfile começava às 2h, mas tivemos que chegar por volta das 18h na concentração porque tinha treino, ensinaram o samba enredo, mostraram a coreografia. Enfim, ficamos horas esperando. Nisso, planejamos tudo: eu guardei comigo, numa pochete, tudo que era meu e também da Mariana, afinal de contas iríamos desfilar uma do lado da outra, não era para acontecer nada, e partimos para o desfile”.

Durante o desfile, que durou pouco em relação a todas as horas de espera, tudo correu bem. Mas ao chegar na dispersão, as duas se viram numa cena de comédia. “Nós acabamos nos misturando com a área das baianas. Elas girando e nós entramos nessa roda, parecia que estávamos entrando num furacão de baianas. Eu foquei na minha amiga que estava na minha frente, mas quando consegui sair dessa confusão percebi que não era a minha amiga. A gente conseguiu se perder uma da outra no meio das baianas”, contou Anna.

Enquanto esperava pela amiga, a jornalista foi tirando toda a fantasia, até que uma hora depois, sem achar Mariana, resolveu ir embora. “Acontece que as coisas dela estavam todas comigo, mas ela pensou rápido: quando viu que nos perdemos, pediu carona para um casal desconhecido e conseguiu chegar até onde estávamos hospedadas. Agora eu pergunto: quem consegue se perder de uma pessoa num local onde tem uma entrada e uma saída? Nós conseguimos essa façanha”.

Salvo pelo médico brigão

A história de Luiz Alberto Salomon, 66 anos, que aconteceu há 38 anos, seria cômica se não fosse trágica. E no caso dele, quase foi fatal. “Estava em Florianópolis, na Lagoa da Conceição, e depois de pescar deixei o barco próximo à entrada da casa em que estava enquanto fui tomar banho. Acontece que estava vindo um temporal e minha esposa avisou que o barco estava batendo no lado da casa e eu tive que ir resolver. Quando entrei no mar, levei uma descarga elétrica que me deixou inconsciente”.

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Desesperada, a esposa de Luiz correu para pedir ajuda ao vizinho, que era médico anestesista. “Acontece que ele só estava em casa porque tinha voltado machucado de um baile infantil. Sim, ele brigou no baile. Ele estava sendo atendido por outro médico, que por Deus estava com um frasco de adrenalina na mochila. Eu fui salvo por uma briga num baile infantil”, contou Luiz.

Em parada cardiorrespiratória, o médico injetou a adrenalina em Luiz e ele voltou. “Fui salvo por dois médicos que estavam juntos só porque um deles brigou no Carnaval. Quem é que briga em baile infantil de carnaval? Era para ser como foi, porque se não eu teria sequelas graves, isso se tivesse sobrevivido. Disso tudo ficou a marca da corrente que eu usava no pescoço, que foi derretida pelo raio, e a lição de nunca entrar no mar e me afastar da praia quando o tempo formar tempestade”, alertou.

A lição de Luiz é bem válida. A Defesa Civil do Paraná recomenda alguns cuidados em caso de tempestades. Nunca permaneça na água e nem em locais altos, campos abertos ou quadras. Procure um abrigo longe de árvores, postes ou linhas de energia elétrica, pois podem atrair e conduzir raios. Se não houver cobertura, agache, coloque a cabeça entre as pernas e abrace o joelho e os pés juntos, em contato com o chão. [RCS1] 

De acordo com a Copel, dentro de casa o melhor meio para neutralizar essas descargas é a instalação de para-raios. O princípio de funcionamento é bastante simples: uma haste metálica ligada a um fio condutor enterrado no solo atrai a descarga, aterrando a corrente. A haste deve ser instalada no ponto mais alto da construção.  É importante, ainda manter distância de janelas e portas de metal. Não use aparelhos elétricos e eletrodomésticos, até celulares, em locais com água e umidade, muito menos com as mãos ou pés molhados.

Amor de Carnaval existe?

Se há quem duvide que amor de Carnaval continue após a quarta-feira de cinzas, a história do casal Luciane Corrêa Salvador, 39 anos, e Rogério Salvador, 41, pode ser a prova de que quando é para dar certo, a folia é a cola necessária. “Em 99, fui com minha família para o litoral do Paraná e alugamos uma casa em Caiobá. Na casa de trás, estava meu marido. Mas eu só fui descobrir isso um tempo depois”, brincou.

Segundo Luciane, os dois se viram pela primeira vez na areia da praia. “Começamos a conversar e ficamos juntos curtindo a Guaratubanda. Ficamos na segunda e na terça, mas na quarta-feira de cinzas iríamos voltar para Curitiba. No ônibus, fiz de tudo para que ele viesse ao meu lado e deu certo. Mas não sabíamos como iríamos manter contato, porque na época nem existia celular fácil como hoje em dia, né”.

Apaixonada, Luciane deixou o telefone de sua casa com Rogério e ele deixou o dele com ela, mas quem ajudou a juntar os dois foi a prima de Luciane. “Eu não ia ligar. Se ele quisesse, que me ligasse. Mas não me ligou porque não levou o papel, esqueceu na praia. Minha prima, que estava interessada no primo dele, resolveu armar. Ligou para ele, fingiu que ele tinha me ligado e aceitei sair. De lá pra cá, casamos, hoje temos dois filhos e no dia 20 de fevereiro completamos 22 anos juntos”.

Se não fosse o Carnaval, os dois não estariam juntos. “Ele é do rock e eu era do sertanejo. Os lugares que ele frequentava eu jamais iria. O Carnaval foi realmente o que nos juntou”, explicou Luciane, destacando que a prima já não teve a mesma sorte. “Ela até ficou com o primo do Rogério por um tempo, mas não deu certo. É a prova do que eu sempre digo: amor de Carnaval dura sim, mas quando tem que ser. Não adianta insistir”.

No caso de Irielen de Freitas Mazzoni Pantoja, 25 anos, e Rodrigo Fernandes Pantoja, 29, uma brincadeira de Carnaval não só acabou rendendo casamento como os dois acabaram se casando exatamente no dia do feriado. “Nós gostamos muito de Carnaval. Em 2018, já há algum tempo juntos, fomos aproveitar a folia em Caiobá e eu me fantasiei de noivinha. Acabou que, com a confusão dos trios elétricos, me perdi do Rodrigo e, quando a gente se achou, disse que se ele não me pedisse em casamento depois disso, era um sinal”.

Sem pensar duas vezes, Rodrigo pediu Irielen em casamento e os dois juntaram os trapos no ano passado, justamente quando? No feriado de Carnaval. “Eu queria uma data que combinasse, mas também tinha que ser um feriado porque a família do Rodrigo é de Belém, então vir para Curitiba tinha que ser com tempo. Quando escolhi o dia 22/02/2020, percebi na hora o destino selando o que vivemos em 2018. Meu marido só se tocou depois, mas, sem ser planejado, casamos no feriado de Carnaval, dois anos depois de brincarmos com o assunto”.

Sem saber, a festa de casamento de Irielen e Rodrigo foi a última grande celebração em família, pois logo depois veio a pandemia. “Nós aproveitamos muito, porque ainda não afetava tanto aqui no Brasil. Mas para nós isso tudo teve um sentido ainda maior, pois entendemos agora o quanto o momento atual exige da gente a necessidade de deixarmos o Carnaval para o ano que vem”.