Faixas exclusivas para ônibus de Curitiba ajudam o trânsito a ser mais eficiente

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Faixas exclusivas para ônibus: Como uma simples atitude pode ajudar o trânsito a ser mais eficiente

Faixa exclusiva para ônibus agiliza deslocamentos em Curitiba

Respeitar as faixas exclusivas dos ônibus ajudar a tornar o trânsito mais eficiente

Por Ana Flávia Silva, especial para a Tribuna

Se você dirige pela cidade, talvez já tenha vivido essa situação: seu carro está parado no congestionamento e ao lado passam, livremente, os ônibus pelas canaletas e faixas exclusivas. A vontade de desviar e entrar na faixa livre é grande, né? Mas elas são planejadas especificamente para o transporte coletivo e isso tem um objetivo: incentivar a população a optar por ele.

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“A faixa contribui para que o tempo de trajeto seja mais rápido. O ônibus trafega com um número elevado de pessoas, tem gente que tem carro, mas deixa em casa para usar o ônibus”, explica Rosangela Battistella, Superintendente de Trânsito de Curitiba. Então, sim, a ideia é básica desviar os ônibus do congestionamento em que você está parado. Mas vai muito além.

Por dentro dos números

Um ônibus comum tem capacidade para 87 pessoas, segundo a Urbanização de Curitiba (URBS). Na prática, há horários em que a lotação vai muito além da capacidade prevista, quase desafiando a lei da física que diz que dois corpos distintos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço e ao mesmo tempo. Em média, um ônibus tem entre 11 e 13 metros de extensão. 

Enquanto isso, um carro comum pode levar até cinco pessoas, já contando o motorista, em uma extensão entre 4 e 5 metros de comprimento. Vamos aos cálculos? 

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Um ônibus leva, em média, seis pessoas por metro quadrado (87/13 = 6,69), o carro leva apenas uma (5/5=1). Dois carros ocupam, na via, o espaço de um ônibus – mas podem levar no máximo 10 pessoas, enquanto no coletivo há quase 90. Não há discussão: os ônibus são a melhor forma de diminuir o fluxo intenso de carros e, por consequência, de congestionamentos. Por isso, a preocupação em oferecer ao passageiro incentivos para que utilizem esse meio de transporte garantindo, por exemplo, que ele seja mais ágil que o particular. 

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Está na lei – e nas câmeras

Carro na faixa exclusiva para ônibus na Av Marechal Deodoro. Foto: Henry Milleo / Arquivo

Curitiba tem quase nove quilômetros de faixas exclusivas para os ônibus, mais as canaletas dedicadas aos BRTs. Além dos coletivos, as vias também podem ser usadas pelos táxis, mas são proibidas para carros de aplicativos ou ciclistas. “Elas são liberadas para o uso de táxis com passageiros. A gente não libera os motoristas de app porque são mais de 30 mil e não tem caracterização específica. Aí, a faixa que é para ajudar, acabaria atrapalhando”, alerta Batistella.

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Já a autorização para os ciclistas, na avaliação dela, depende de uma mudança cultural. “Infelizmente ainda não temos a cultura de compartilhar uma via entre um veículo pesado e ciclistas. Não liberamos por questão de segurança”, relata. Embora quem pedala costume utilizar os trechos – especialmente por eles terem uma movimentação menor de veículos – o Código Brasileiro de Trânsito é claro sobre o tema. Ele especifica que, em trechos onde não há ciclovia ou ciclofaixa, a circulação de bicicletas deve ser feita nos “bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores” (Art. 58). 

Já os motoristas que insistirem em usar a faixa exclusiva para ônibus podem ser multados. E a fiscalização está acirrada. Recentemente a cidade ganhou novos radares, mais modernos, que além de identificar a circulação acima da velocidade máxima permitida, também registram parada sobre faixa de pedestre, avanço de sinal vermelho e conversões proibidas.

“Dentro do contrato dos novos radares, alguns equipamentos fiscalizam também as faixas exclusivas dos ônibus”, alerta a superintendente. Mas é bom lembrar: as regras existem com o objetivo de tornar o trânsito mais seguro e eficiente para todos. Não utilizar faixas que são exclusivas para outros veículos precisa fazer parte da consciência do motorista – e não do medo de ser multado. A empatia, mais uma vez, é a principal aliada para quem quer ajudar na missão de ter um trânsito melhor. 

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Faixas exclusivas: onde estão? 

Curitiba tem oito ruas com trechos onde há faixas exclusivas para ônibus – num total de nove quilômetros. 

  • Rua General Mário Tourinho
  • Rua André de Barros
  • Alfredo Bufren/Amintas de Barros
  • Imaculada Conceição
  • Rua XV de Novembro
  • Rua Marechal Deodoro
  • Rua Conselheiro Laurindo
  • Rua Des. Westphalen