Maio Amarelo: a responsabilidade no trânsito é de todos, motoristas e pedestres

Publicidade

Eu, tu eles. A responsabilidade no trânsito é dos motoristas e também dos pedestres

A responsabilidade de um bom trânsito é de todos, motoristas, motociclistas e pedestres

Motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres: todos são responsáveis por um trânsito mais seguro

Por Ana Flavia Silva, especial para a Tribuna

Quando se fala em trânsito, é comum que a primeira imagem que venha à mente seja a de carros. Eles são maioria, é verdade. Representam mais da metade de toda a frota brasileira, que tem 108.222.494 veículos. Só de carros, são 58.125.111, sendo que todas as outras 20 categorias consideradas pelo Denatran (que vão desde bondes a até tratores) somam juntas 50.097.383.

Mas o trânsito é muito mais do que isso. Se for para pensar sobre rodas, é preciso incluir as bicicletas. E os quatro primeiros meses de 2021 já tiveram um aumento de 22,9% na produção de bikes em todo o país. No comparativo com abril de 2020, o setor teve um crescimento de 409,2% – saindo de pouco mais de dez mil unidades produzidas no mês no ano passado para 51.281. Tem muita gente pedalando por aí.

+ Viu essa? Dar a seta no trânsito te livra de multa e contribui para um trânsito mais “parceiro” e coletivo

Mas o trânsito é sobre isso: gente. Sejam pedestres, motoristas, motociclistas, ciclistas – o trânsito todo é feito por pessoas. Essa é a ideia da campanha Maio Amar Elo.

Um trânsito de 211 milhões de pessoas

O Código Brasileiro de Trânsito deixa claro no artigo 29 que os “veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”. Mas isso não significa que o pedestre está livre de responsabilidades, especialmente sobre sua própria segurança. “O pedestre precisa entender que ele é parte do trânsito. Apesar de não ser possível haver uma fiscalização com multa, ele precisa entender que a ação dele ajuda, inclusive evita danos a ele mesmo”, destaca a tenente do Batalhão de Polícia de Trânsito, Mayra Tonelli.

+ Maio Amar Elo: Prestar atenção nas placas de trânsito pode salvar vidas e evitar multas

As multas até são previstas aos pedestres caso eles descumpram as medidas de segurança previstas no CTB. Mas fiscalizar e comprovar essas imprudências é inviável. E, na prática, essa atitude costuma custar muito mais caro: “o problema é que a punição dele vai ser com a própria vida ou algum ferimento”, alerta a tenente. Isso explica os 824 feridos em 812 casos de atropelamentos registrados em Curitiba desde janeiro de 2019 até março deste ano.

É difícil determinar a razão dos acidentes, mas é importante lembrar de cuidados básicos que podem ajudar a evitá-los. Para a chefe de divisão e educadora de trânsito do Detran-PR, Noedy Bertazzi, é uma questão cultural. “A gente enfatiza muito nos cursos e palestras nas escolas públicas que temos “pedestre abusados”, que pensam que podem colocar o pé na rua e esperar que o carro pare a qualquer momento. Não é bem assim”, diz. 

+ Leia mais: Eu, tu eles. A responsabilidade no trânsito é dos motoristas e também dos pedestres

Educação para a vida

Trânsito numa tarde qualquer em Curitiba. Foto: Lineu Filho

A segurança nas ruas depende da atuação de todos, juntos. O coordenador de educação do Detran-PR, Michael Bogo, afirma que iniciativas educativas são pensadas para sensibilizar e conscientizar quem dirige, pilota, pedala ou caminha. “Nós estamos trabalhando para colocar no curso de reciclagem de motoristas infratores informações para trabalhar o respeito ao ciclista. Também falaremos sobre a passagem de nível, o motorista precisa entender que um trem não tem como frear bruscamente. Vamos ainda colocar a questão tecnológica, porque o celular está influenciando acidentes com pedestres”.

+ Leia mais: Insegurança no trânsito gera irritação e mais insegurança. O trânsito pode ser mais gentil

Pensando em seguir o caminho da educação, o Departamento lançou o podcast Detran Educa, para ir além do reforço sobre as regras de trânsito. “A gente queria falar mais: sobre respeito, solidariedade, comportamento e inteligência emocional. Temos que despertar o valor humano, a empatia”, conta Bogo. Estrategicamente, o material foi lançado neste mês, como parte da campanha Maio Amarelo, mas deve seguir como parte dos conteúdos criados pela instituição.

+ Maio Amar Elo: Celular na mão é risco na certa para motoristas, mas também para os pedestres

Escolinha de trânsito

A geração de estudantes do ensino infantil da década de 1990 deve se lembrar da carteirinha que recebia após o passeio pela Escolinha do Detran-PR. O projeto reunia alunos de escolas públicas em ações práticas de aprendizado sobre segurança nas ruas. Com as atividades paradas por causa da pandemia de covid-19, o programa ainda tem iniciativas com foco nos pequenos. “São eles que levam informações para os pais, cobram, lembram”, destaca Bogo. Segundo ele, uma parceria com o município de Araucária tem levado a temática para as crianças das escolas municipais. 

+ Leia também: Não bloqueie o cruzamento: a pressa é inimiga da perfeição e de um trânsito mais fluído!

É assim, na ponta do lápis, que aos poucos o trânsito pode se tornar mais seguro. Ainda que empatia seja difícil de “ensinar”, entender a responsabilidade de cada um é um grande passo para que todos exerçam seus direitos e deveres nas vias.