Não bloqueie o cruzamento: a pressa é inimiga da perfeição e de um trânsito mais fluído!

Publicidade

Não bloqueie o cruzamento: a pressa é inimiga da perfeição e de um trânsito mais fluído!

Não feche um cruzamento durante um congestionamento

Não bloqueie o cruzamento: alguns segundos que você tenta economizar podem gerar um transtorno quilométrico

“A gente não controla tudo no trânsito, a gente precisa ter consciência do que está ao nosso redor”. A fala do Agente de trânsito Eduílio Sampaio resume o que poderia ser a solução para um trânsito mais pacífico: lembrar-se sempre de que há inúmeros fatores influenciando o trajeto. Uma criança que atravessa a rua correndo, um animal que cruza a avenida, um motorista à frente que freia bruscamente… A qualquer momento a vida do motorista pode ser transformada em frações de segundo e o que parecia estar sob controle, na verdade, nunca esteve totalmente nas mãos de quem dirige. 

+ Veja também: Prestar atenção nas placas de trânsito pode salvar vidas e evitar multas

Quer um exemplo prático e bastante comum? O cruzamento. Especialmente quando se trata de avenidas com duas, três pistas de cada lado… Você nem percebe que a fila de carros à frente começou a andar mais devagar e continua seu caminho. Até que tudo para e você está bem no meio da avenida, impedindo a passagem de quem esperava o semáforo abrir… Está bem, a gente sabe: não foi por mal. Foi por falta de atenção, né?

“A gente percebe que o trânsito se torna uma coisa muito automática, isso é positivo, mas faz também com que a gente se ‘desligue’. Os movimentos internos, que a gente controla (troca de marcha, acionamento de setas), ficam automáticos – e isso é ótimo, mas a gente acaba colocando o externo no automático também”, pontua Sampaio. Ele é integrante da Escola Pública de Trânsito (EPTran), responsável pelas atividades educativas na área, vinculada à Setran – Superintendência de Trânsito de Curitiba.

+ Maio Amar Elo: Celular na mão é risco na certa para motoristas, mas também para os pedestres

Nas palestras, costuma abordar esse comportamento automatizado de motoristas, motociclistas, pedestres… Todos que integram o trânsito, mas se esquecem de como ele é feito do todo: ninguém está sozinho. “Quem de nós não tem um relato absurdo de usar o carro como se estivesse na sala de casa?” Ano passado, por exemplo, uma mulher foi multada em Ponta Grossa por dirigir enquanto comia uma coxinha. A infração foi não estar com as mãos no volante.

A pressa é inimiga do cruzamento livre

Errar o cálculo, por pressa ou desatenção, gera problemas no trânsito. Foto: Aniele Nascimento / Arquivo

+ Maio Amar Elo: Insegurança no trânsito gera irritação e mais insegurança. O trânsito pode ser mais gentil

Além da falta de atenção, o que costuma fazer com que os motoristas bloqueiem o cruzamento é… a pressa. E o mais curioso é que ela não tem justificativa quando se trata do trânsito urbano. O especialista explica: “as pessoas têm a ideia equivocada de que quanto mais velocidade, mais eu ganho tempo. Mas no trânsito urbano isso não acontece. O que reduz o tempo é a constância. Não precisar frear e retomar a velocidade o tempo todo. Manter uma velocidade média, com menos acelerações e freadas bruscas”.

Na prática, segundo ele, tudo é muito calculado para fazer com que o trânsito flua: a velocidade máxima da via, o tempo do semáforo aberto e fechado, as sinalizações. Tudo isso já leva em conta as reduções necessárias para uma conversão ou entrada e saída de garagens, por exemplo. Na avaliação de Sampaio, um caminho percorrido mantendo uma velocidade média de 50 km/h é finalizado mais rapidamente do que se o motorista percorrer trechos a 80 km/h, mas precisar parar ou reduzir rapidamente porque o carro à frente trocou de pista. “Se você for um crítico na área, você percebe isso. Se todos fossem críticos, também entenderiam”, destaca. 

+ Leia mais: Eu, tu eles. A responsabilidade no trânsito é dos motoristas e também dos pedestres

O mesmo se aplica nas relações entre veículos e pedestres. A sensação de ter um carro passando ao seu lado a 60 km/h é totalmente diferente se você estiver à pé, pedalando ou pilotando. Enquanto o motorista, dentro da “cápsula de metal”, não sofre impacto algum.

Sem individualismo

+ Veja também: Dar a seta no trânsito te livra de multa e contribui para um trânsito mais “parceiro” e coletivo

Para o motorista de aplicativo Diogo de Mesquita Nogueira, que circula pela cidade o dia todo, o que falta nas ruas é empatia. “É preciso deixar passar, tolerar, deixar o individualismo de lado, onde somente minha pressa importa, somente meu tempo é curto, somente eu preciso chegar.” A avaliação do profissional segue o fluxo de especialistas de trânsito. Sampaio faz uma provocação.  “É preciso ser pró-ativo: o que eu posso fazer para minimizar a dificuldade do outro, diminuir o problema do outro?”

Num mundo em que todos correm, literalmente, em busca de seus próprios objetivos, é difícil imaginar que o trânsito possa ser o lugar onde a empatia vai florescer. “O trânsito mata e mata muito. A gente tem que correr para minimizar os problemas. Mas eu sou otimista. Os passos que estamos dando são lentos, mas estão na direção certa.”